Ataques de pânico: o que fazer
O coração dispara, falta o ar, surge a sensação de que algo muito grave está a acontecer. Um ataque de pânico é uma experiência assustadora, mas é também uma das dificuldades psicológicas que melhor responde ao tratamento.
O que é um ataque de pânico
É um episódio súbito de medo ou desconforto intenso que atinge o pico em poucos minutos. Pode surgir numa situação concreta, como um supermercado cheio ou uma viagem de carro, ou aparentemente do nada, até durante o descanso. Os sintomas mais comuns são:
- Palpitações ou coração acelerado.
- Falta de ar ou sensação de sufoco.
- Aperto ou dor no peito.
- Tonturas, sensação de desmaio ou instabilidade.
- Suores, tremores, ondas de calor ou arrepios.
- Formigueiro nas mãos ou na cara.
- Náuseas ou desconforto abdominal.
- Sensação de irrealidade ou de distância em relação a si.
- Medo de perder o controlo, de enlouquecer ou de morrer.
Apesar de a sensação ser de perigo extremo, um ataque de pânico não é perigoso em si mesmo e acaba por passar.
Durante a crise
- Dê nome ao que está a acontecer: “isto é um ataque de pânico, é muito desconfortável mas vai passar”.
- Abrande a respiração: inspire pelo nariz durante cerca de 4 segundos e expire devagar pela boca durante 6 a 8 segundos. Uma expiração mais longa do que a inspiração ajuda o corpo a acalmar.
- Volte ao presente: repare em 5 coisas que vê, 4 que consegue tocar, 3 que ouve, 2 cheiros e 1 sabor.
- Não lute contra as sensações: tentar controlá-las à força costuma aumentá-las. Deixe-as subir e descer, como uma onda.
- Se possível, não fuja da situação. Ficar até a crise passar ensina ao cérebro que aquele lugar não é perigoso.
Depois da crise
É normal sentir cansaço e alguma apreensão. Muitas pessoas começam a ter medo do próximo ataque e a evitar os lugares onde ele aconteceu. Esse evitamento traz alívio no momento, mas com o tempo faz a vida encolher e mantém o pânico.
Quando procurar ajuda
- Os ataques repetem-se.
- Passa muito tempo preocupado ou preocupada com a possibilidade de ter outro.
- Começou a evitar lugares, transportes, conduzir ou estar sozinho ou sozinha.
- O medo está a interferir com o trabalho, os estudos ou as relações.
Como a psicoterapia pode ajudar
A Terapia Cognitivo-Comportamental é um dos tratamentos com maior evidência científica para os ataques de pânico. Na consulta trabalhamos a compreensão do ciclo do pânico, a forma de interpretar as sensações do corpo e o regresso gradual às situações que passaram a ser evitadas, ao seu ritmo.
As consultas online permitem começar o acompanhamento sem ter de enfrentar logo deslocações ou salas de espera, algo que pode ser difícil para quem vive com pânico.